Siga meu Diário por Email

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Sobre voos e raízes


Como saber a hora de deixar o filho sair de perto de nós? 
Como avaliar se o que ensinamos ajudará de fato ou se ainda falta muito para aquele voo solo? Eu sei... achamos que sempre falta. Sempre temos algo que ainda não ensinamos... Mas assim é a vida, não é? Aprende-se enquanto se vive. 
Eu disse voo solo? Voo em dupla, em trio, em grupo... Solo apenas porque é sem os pais, separado da família, distanciando-se desse fundamental primeiro núcleo. E cujo corte amedronta mais aos familiares do que aos próprios filhos - ao menos na ordem natural das coisas. 
Como confiar nesses que vão entrando no nosso lugar, ocupando também espaços que até há pouco não existiam? 
A hora de o filho sair do colo é fácil de decidir. É ansiada por todos. É coroação pra pais e filhos - está crescendo! (Significa: vc está alimentando bem essa criança, estimulou adequadamente e agora vê-se o quanto ela é madura - como é firme e anda bem!). 
Quantos passos desde a hora dos primeiros até o momento em que, com passos largos (meu Deus! Como cresceram! Olha o tamanho desses pés!...), as distâncias geográficas aumentam? 
Então, emoções controladas pra razão conseguir chegar, lembramos que houve muitas separações, em pequenos e grandes momentos. 
Que nem sempre estávamos perto na hora de uma dor (física ou emocional) ou de uma tristeza, porque somos humanos e não temos superpoderes. 
Que não prevemos tudo e não controlamos nada. 
Que viver exige disposição e coragem. Que aceitar os voos é reconhecer isso. Que pode haver erros e que existe possibilidade de acerto e correção na trajetória. 
Que, mesmo no mais alto céu ou diante da mais deslumbrante paisagem, se há raízes, elas servirão para o retorno. 

E o reencontro - como todo novo encontro - será marcado por muitas histórias que ficarão nas memórias dessa família (re)construída a cada dia, pelos voos solos de cada um de seus membros. 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

De Francisco Gregório sobre o Café Literário


Comecei a realizar um Café Literário em Nova Friburgo, em setembro de 2012.
Meses depois, tive a surpresa, a honra e a alegria de ler este texto de Francisco Gregório, a partir de uma conversa que tivemos por e-mail.
A foto é de 2016, quando ele foi me visitar!
Espaço de Leitura - Era uma vez. E fim
clara.pc@ig.com.br chico.greg@yahoo.com.br
SEXTA-FEIRA, 05 DE ABRIL DE 2013
POR JORNAL A VOZ DA SERRA
Francisco Gregório Filho

Comentei aqui já por mais de uma vez a minha alegria e o grande prazer que toma conta de mim quando estou a ler e a escrever. Também sublinhei, aos amigos leitores desta coluna, as minhas dificuldades em escrever. Não é coisa fácil ter em mãos caneta ou lápis e preencher uma página em branco. Sei que posso melhorar e uma das maneiras, que todos nós sabemos, é o exercício constante da leitura e da escrita. Por isso ainda procuro participar de encontros, seminários, oficinas e rodas de leitura, sempre pedindo orientação aos mestres. Por ora não tenho outra saída.
Soube por uma amiga notícias de uma oficina que acontece na Livraria Arabesco. Na verdade, são rodas de leituras que têm orientação da professora Márcia Lobosco. Imediatamente escrevi uma mensagem a ela, solicitando mais informações e dizendo de meu interesse em participar.
A professora Márcia com todos os cuidados e muita paciência logo me respondeu: 
“Olá, Gregório!
Sou professora e atuo em sala há mais de vinte anos. Minha primeira formação é em Pedagogia e, depois, cursei Letras na Faculdade de Filosofia Santa Doroteia.
Numa ocasião, quando cursava Literatura infanto-juvenil, com a professora Lúcia Raminelli, tive a oportunidade de participar de uma roda de leitura orientada por você. Adquiri, na época, um livro seu, especialmente por causa do texto do abraço. Já o usei em várias situações.
Sou amante das palavras, gosto de ler e escrever, e ter pessoas a volta de um livro, de uma história, me chamam a atenção e me emocionam. 
No ano passado, tomei coragem e coloquei no papel um projeto de Café Literário e Oficina da Palavra e fui solicitar o espaço do Café Árabe, na Livraria Arabesco. Nádia, felizmente, topou imediatamente e realizei três encontros mensais, de uma hora e meia de duração cada um, em setembro, outubro e novembro. Foi uma experiência maravilhosa!
Este ano, retomaremos o projeto e as novas datas já estão definidas....” 
Claro, amigos e fraternos leitores e leitoras, que o carinho na resposta da professora me comoveu. Estimulado, fiz-lhe nova pergunta sobre como esses encontros se desenvolvem e novamente recebo a resposta de uma forma que só os bons mestres comprometidos com a formação de leitores e (por que não?) escritores, sabem fazer: 
“Olá Gregório!
Em todos os encontros anteriores, levei um texto para ser lido na hora e abri para os comentários, a partir de uma provocação inicial. As pessoas, normalmente, falam bastante, vão trazendo suas leituras, suas experiências, conectando com outros textos. 
Depois, propus uma breve escrita, no formato que se desejasse, individual ou coletivo, que poderia ser lida para o grupo ao final. A participação foi intensa também! Todos costumam escrever e querem ler suas produções. Acima de tudo, é uma vivência de expressão de sentimentos e pensamentos. 
Bom, é isso! Escolho os textos que mexem com minhas emoções e que me inspiram a refletir. Sou professora de Português e de Filosofia e isso não se separa de mim... rsrsrs. Por outro lado, também sou pedagoga, e me preocupo com o como essas reflexões podem chegar às pessoas e também fazê-las refletir. Para você ter uma ideia, faço um planejamento do encontro, a exemplo de um plano de aula. Rsrsrs. Mas, para minha alegria, ninguém encara como aula, mas como um encontro. Fiquei muito feliz com a experiência vivida no passado. 
Depois dos comentários, sugeri que escrevessem sobre memórias de aprendizado da escrita. Houve memórias tristes (de um ensino mecanicista, por exemplo) e memórias muito bonitas. Todos, sem exceção, revelaram ter amor pela escrita, pela palavra...”
Márcia (http://diariodebordocefet.blogspot.com).
É um desafio para tentar melhorar minha escrita, mas vou em frente, a escrever, a ler e a publicar. Acabo de receber um livro* muito interessante com muitos desenhos de André Ducci e textos de Joca Reiners Terron. Abrindo a primeira página leio: “Era uma vez. E fim. Queria começar a história dessa maneira. Era uma vez. E fim. Mas não. Existem outras coisas entre esses dois extremos.” 

http://thevalueuwiluppse.com/noticias/espaco-de-leitura-era-uma-vez-e-fim

Pelo aniversário do Augusto, em 2017


Hoje meu dia amanhece cheio de alegria e gratidão pela vida do meu filho Augusto, meu caçula!... 
Há doze anos o dia 08 de dezembro é uma data cheia de marcas e emoções. A cada dia mais intensas!!!!
Todos os dias, aprendemos com Augusto a sermos mais gentis e atenciosos com os outros, a ler emoções expressas nos rostos e gestos, a enxergar o mundo com um outro olhar. 
Todos os dias, percebemos que ensinar sobre paciência e tolerância é exercício diário, do qual não podemos nos cansar, pois mesmo as pessoas mais doces tem seus momentos de fúria e incompreensão. 
Esse menino lindo e inteligente, que veio ao mundo antes da hora e que tem uma pressa enorme de viver, dá às nossas vidas outros sentidos... 
12 anos! Um pré-adolescente!...
A alegria do meu bebê segue contagiando a todos nesse sorriso simpático e agradável, num rosto onde agora começam a aparecer as primeiras espinhas. 
As tiradas rápidas e precisas, normalmente bem-humoradas, presentes desde quando ele era muito pequeno, seguem encantando e surpreendendo. Mas, às vezes, já chegam com uma crítica mais ácida. 
Inteligente, empático, sentimental, dramático... Ah, meu bebê foi assim, meu menino cresceu assim e, sem eu me dar conta, vejo um menino-rapaz intensamente assim. 
Que Deus me conceda sabedoria e discernimento pra continuar contribuindo para o crescimento saudável e feliz do meu filho. 
Que as suas boas características sejam potencializadas para o Bem de todos à sua volta. E que o que é preciso modificar seja aprendido nas vivências diárias com todo Amor. 

Feliz aniversário pro Augusto! 

Minha sala – a primeira no ano 2000


Escrevi esse texto muito emocionada, quando me dei conta de que iria usar uma sala em 2018 (de volta à função de coordenadora) que havia sido a minha primeira sala naquele prédio, no ano 2000. As fotos são da sala já arrumada, em janeiro de 2018.



Era outubro de 2000. Ano universalmente especial, de data tão emblemática. 
Para nós, do Educandário Miosótis, especial e emblemático por motivo celebrativo: a escola completava 10 anos de existência. 
O presente chegou, significativa e expressivamente: os administradores adquiriram uma propriedade nova para a escola funcionar. Ampla, arborizada, no Centro da cidade. Poderia haver melhor forma de comemorar? 
Preparamos a mudança de parte das turmas naquele mesmo ano, no último bimestre letivo. Por que a pressa? Porque não víamos a hora de desfrutar de toda a promessa daquele novo espaço. Levamos, então, o ensino fundamental, que, naquele ano, chegava completo, com todas as séries (1a a 8a, pela lei da época). 
Choveu no nosso primeiro dia de aula na Alameda. A rua tinha calçamento de pedras e era escorregadia. A quase totalidade do espaço era de chão de terra, que permaneceu enlameado por mais de uma semana, sob a chuva de primavera que caía intensa. Havia partes do terreno aonde os estudantes não podiam ir e precisávamos cuidar disso com atenção redobrada durante os horários fora de sala de aula. 
Mas foi lindo!... Eu olhava deslumbrada para tudo à volta e sei que contagiava o olhar dos meus alunos, crianças da classe de alfabetização que, assim como eu, enxergavam em cada pedacinho um futuro muito próximo, cheio de possibilidades. 
Durante os nove anos em que trabalhava na escola, estive em alguns tipos de salas e enfrentei as dificuldades de cada espaço. Meu primeiro passo foi sempre o de criar um vínculo de afeto com meus alunos para que pudéssemos confiar uns nos outros. 
Assim, tive uma turma de III Período no segundo andar, com a presença de um aluno de inclusão, e nunca houve ninguém rolando pelas escadas. Tive duas turmas de alfabetização numa sala no primeiro andar, onde só havíamos nós. E, fora as idas ao banheiro devidamente autorizadas, andávamos juntos, de um lugar ao outro, sem acidentes nem nenhum tipo de problema. 
Quando mudamos para a Rua Pastor Meyer (mais uma das conquistas do Educandário Miosótis), estive um ano numa sala com uma grande porta de vidro ao fundo e tudo transcorreu normalmente. Dois ou três anos estive numa sala no segundo andar, com a 5a série, e a experiência rica da sala de aula transcorreu em paz. 
E durante os outros anos lecionei numa sala de aula que fora a garagem da residência. Seu formato era desigual e o espaço ia diminuindo para o fundo da sala, afunilando. Não era o local ideal, tanto que nunca mais houve uma sala assim na escola. Ali, trabalhava nos dois turnos, com turmas de 4a a 8a série pela manhã e a classe de alfabetização à tarde. E afirmo, sem medo de ser hipócrita nem piegas, que éramos felizes ali. Aprendíamos, sobre as letras, as palavras, os textos, a língua e também sobre muitas outra coisas. Cantávamos, ríamos e brincávamos também. E sei que essas memórias fazem parte de mim tanto quanto de cada um dos alunos com quem convivi diariamente. 
Na Alameda, a primeira sala de aula em que trabalhei, é onde fica hoje à sala da coordenação. É a sala que usarei em 2018, quando assumo novo desafio. Se na vida concreta pode ser apenas uma coincidência, na leitura simbólica da vida, o fato ressoa/ecoa e chega pra mim como um rito de passagem. A professora que chegou àquela sala no ano 2000 permanece. Seu olhar deslumbrado diante da beleza ao redor (ainda mais bela hoje) procura contagiar os que estão à sua volta. Ensinar continua sendo sua vocação e, para tal, ela não cansa de estudar e de aprender. E o que aprendeu, sempre trouxe para essa escola. E nessa escola sempre aprendeu muito e levou para si. E nesse vai e vem de aprendizados, a menina-mulher é a mulher-menina que se constrói a cada dia. 
Essa sou eu. E saber que vou olhar novamente pela janela daquela sala, me causa grande emoção. É o mesmo olhar, pra enxergar outras coisas. E vai ser lindo, eu creio! 

Sobre filhos terem interesses diferentes dos interesses dos pais - sobre serem filhos e serem pessoas




Meu filho Miguel rejeita o meu trabalho com a leitura como eu rejeitava o trabalho com costura da minha mãe. 
Mas não vejo como desrespeito. Percebo certa admiração, assim como ocorria (e ocorre) comigo quando vejo as costuras da minha mãe (das quais não entendo nada...). É uma questão de inabilidade ou de não afinidade. 
A despeito disso, reconheço nos olhos do meu filho o interesse pela minha produção. Curiosidade ao me enxergar dedicada. 
Talvez, pra entender um pouco sobre o interesse provocado em mim. 
Possivelmente, de modo inconsciente, pra descobrir sobre mim e, nessa compreensão, entender também a si mesmo. 
No seu olhar diante dos meus afazeres literários, nas suas perguntas pertinentes e curiosas, enxergo afeto. E isso me toca (me afeta), pois consigo enxergá-lo melhor e, de algum modo, revejo a mim mesma.

Prefácio do livro "Nova Friburgo - contos, crônicas e declarações de amor"


Prefácio 

 "Jardins Suspensos" na serra
dentro da Serra do Mar,
é o céu mais perto da terra
que a gente pode encontrar...

Na palma da mão de Deus
fica Friburgo-a cidade
a quem ninguém diz adeus...
(Ao partir, se diz:saudade...)

(J G de Araujo Jorge)

Nova Friburgo está prestes a comemorar seu aniversário de 200 anos. Em 1818, o rei de Portugal, residindo no Rio de Janeiro decidiu, por decreto, criar uma localidade na serra fluminense para receber um grupo de colonos vindos da Suíça. 
A partir desse fato, tradicionalmente começa a se contar a história da cidade de Nova Friburgo. 
Inspirado por essa data comemorativa e a exemplo de iniciativas literárias semelhantes em outras cidades, o escritor George dos Santos Pacheco teve a ideia de reunir amigos escritores que desejassem exercitar seus talentos e escrever textos diversos em que a cidade fosse, de algum modo, o foco. Daí nasceu o livro "Nova Friburgo - contos, crônicas e declarações de amor", apresentado com uma bela capa de criação artística dos também escritores Carlos Abbud e Flavia Gonçalves. 

Nesta obra, os leitores encontrarão 
Alberto Lima Abib Wermelinger Monnerat que abre o livro, contando, em forma de relato, a vinda dos colonos suíços para Nova Friburgo, de acordo com o que a historiografia registrou; seu interesse é genuíno - ele mesmo descende de um desses colonos. 
Ana Beatriz Manier nos brinda com um conto ambientado na sala de aula do colégio "mais tradicional da Fribourg brasileira, como meu professor de francês faz questão de dizer". Fica a cargo da imaginação do leitor (ou do seu conhecimento) descobrir qual é, bem como se identificar com a narradora-personagem nas suas contradições adolescentes. 
Ania Kítylla traz um conto de suspense com pitadas de erotismo, cujo enredo se desenrola num bar em Nova Friburgo. Amor? Paixão? Traição? Esses e outros ingredientes vão preencher a imaginação do leitor. 
Anna Braga Asth nos relembra à noite da tragédia climática, em janeiro de 2011 que assolou a região serrana do estado do Rio e atingiu Nova Friburgo dramaticamente;  em sua crônica, a autora propõe uma reflexão de fé. 
Carlos Abbud nos traz um conto com gosto de melancolia quando nos reencontramos em pleno presente com um passado que, há muito distante, não pode retornar. Presente e passado na mesma Nova Friburgo; presente que segue e deixa o passado - outra vez - passar. 
Flávia Gonçalves trata de dúvidas e coragem no conto que faz referência a uma escola e a um shopping em Nova Friburgo. Sua história mostra uma personagem com medo de enfrentar seus próprios desejos e o seu encontro, ao acaso, com o incentivo que a encoraja. 
George dos Santos Pacheco surpreende com um conto que passeia entre o suspense e o terror, numa bela casa que se revela mal-assombrada no pacato distrito de Lumiar. O coração vai dá tranquilidade ao sobressalto em poucos parágrafos. 
Ordilei Alves pinta o livro com cores quentes apresentando um conto erótico cujos personagens - uma jovem e um homem maduro - reagem aos estímulos sensoriais numa narrativa excitante. 
Pela narrativa de Roberio Canto, podemos passar por vários locais de Friburgo enquanto a personagem, em fúria após uma briga com o namorado, trafega com seu carro de Furnas ao Cascatinha. Durante o trajeto, o narrador vai nos revelando os dramáticos sentimentos da personagem, numa intensidade que vai acompanhando o caminho trilhado. 
Solano DellaMuerte nos relembra o calcanhar de Aquiles de Nova Friburgo: os temporais que causam as cheias dos rios e os transbordamentos pelas ruas que, muitas vezes, além dos estragos materiais ceifam vidas. A narrativa é sobre os que ficam e o que fazem com os que se vão. 
A crônica de Tereza Cristina Malcher Campitelli é de grande beleza, retratando um local de Nova Friburgo cheio de verde, flores e cães - todos muito bem apresentados no texto, assim como os relatos com toques de doce nostalgia. 
Por fim, Thales Amaral nos lembra do mercado de flores de Nova Friburgo e as coloca de modo significativo no seu trágico conto de amor. 

Os nascidos e moradores de Nova Friburgo certamente reconhecerão os locais citados e terão sua própria memória afetiva estimulada, trazendo lembranças de momentos passados nesses lugares e ambientes. 
Aos que tiveram em mãos este livro e não tiverem ainda conhecido Nova Friburgo, talvez a leitura aguce sua curiosidade. 
Na cidade de tradição literária, onde renomados autores estiveram em momentos distintos e experimentaram escrever sob o agradável clima das montanhas; na cidade que anualmente recebe trovadores de todo o Brasil que expressam em versos seus sentimentos e divagações - nesta cidade, não poderia deixar de nascer uma obra que reunisse, em diferentes gêneros, escritores de várias idades para prestarem sua homenagem a Nova Friburgo. 
Que os leitores encontrem-se nas páginas deste livro, ao reconhecerem lugares, se identificarem com personagens e narradores e desfrutarem de uma leitura diversa em temas e enredos. 
Ganham os escritores; ganham os leitores - ganha Nova Friburgo, terra de todos nós. 

Entre a espada e a rosa - Tudo tem seu tempo



A espada é arma. Ataca, defende. Fere, mata. 
A rosa é arma. Perfuma, enfeita. Presenteia, embeleza. 
A espada encoraja. Ter uma espada embainhada significa a possibilidade de se defender rápida e objetivamente. A defesa pode ser contra algo ou contra alguém. A espada na cintura é poder apenas por isso: o poder de ter uma arma. 
Mas de nada vale uma espada se ela não for bem usada. Empoderado não é quem tem a espada; antes, é quem sabe bem manejá-la. As lutas necessitam de sujeitos e não apenas de pessoas. 
A rosa encanta: na promessa do botão que um dia se abrirá; nas pétalas abertas que deslumbra o olhar. A força da cor é tão intensa que só se vê a flor. E os espinhos aparentes, mas não enxergados, se escondem atrás do que a rosa significa. O encantamento está aí - a beleza que se sobrepõe a dor. 
Entre a espada e a rosa, sempre é preciso decidir. 
Às vezes é preciso escolher a espada. Tempos de luta - concreta, física, objetiva. 
Às vezes é necessário escolher a rosa. Tempos de luta - amorosa, sensível, subjetiva. 
Mas a espada e a rosa estarão sempre lá. E, antes que optar por uma ou por outra, há que se deixar sentir, para além das normas preestabelecidas quando endurecer e quando se sensibilizar. Porque a vida exige SER em todas as situações em que se deva estar.